OS MELHORES FILMES VISTOS EM 2009

 

1. LADRÕES DE BICICLETAS (1948) * * * * *

2. VIDAS SECAS (1963) * * * * *

3. MORANGOS SILVESTRES (1957) * * * * *

4. A REGRA DO JOGO (1939) * * * * *

5. 12 HOMENS E UMA SENTENÇA (1957) * * * * *

6. A PARTIDA (2008) * * * * ½

7. FROST/NIXON (2008) * * * * ½

8. O ARCO (2005) * * * * ½

9. O VISITANTE (2007) * * * * ½

10. WOODSTOCK, 3 DIAS DE PAZ, AMOR E MÚSICA (1970) * * * * ½

11. A ONDA (2008) * * * * ½

12. O LUTADOR (2008) * * * * ½

13. NA MIRA DO CHEFE (2008) * * * * ½

14. COISAS INSIGNIFICANTES (2008) * * * *

15. O SALÁRIO DO MEDO (1953) * * * *

14. FAHENHEIT 451 (1966) * * * *

15. STAR TREK (2009) * * * *

16. MILK – A VOZ DA IGUALDADE (2008) * * * *

17. VALSA COM BASHIR (2008) * * * *

18. UP – ALTAS AVENTURAS (2009) * * * *

19. ATIVIDADE PARANORMAL (2007) * * * *

20. CORALINE E O MUNDO SECRETO (2009) * * * *

21. [●REC] (2007) * * * *

22. LAURA (1944) * * * *

23. COMO ERA VERDE O MEU VALE (1941) * * * *

24. TEOREMA (1968) * * * *

25. TÁ CHOVENDO HAMBURGUER (2009) * * * *

OS PIORES FILMES VISTOS EM 2009

 

 

1. A CARTOMANTE *

2. G.I. JOE: A ORIGEM DE COBRA *

3. GAMER *

4. TRANSFORMERS: A VINGANÇA DOS DERROTADOS *

5. ADRENALINA 2: ALTA VOLTAGEM *

6. PACTO SECRETO *

7. DUBLÊ DE ANJO * ½

8. O DIA EM QUE A TERRA PAROU (2008) * ½

9. ENTRE LENÇÓIS * ½

10. OS DEUSES QUEBRADOS * ½

11. MISSÃO BABILÔNIA * ½

12. X-MEN ORIGENS: WOLVERINE * *

13. EU ODEIO O DIA DOS NAMORADOS * *

14. DRAGONBALL EVOLUTION * *

15. ANJOS E DEMÔNIOS * * ½

 

MICRORRESENHAS TWITTER - DEZEMBRO (pt 1)

 

. ATIVIDADE PARANORMAL * * * *

. Paranormal Activity, 2007

. Terror

. Cinema

. 04.12.09

. Com a ajuda dos berros da plateia, este é o filme mais aterrorizante a passar nos cinemas este ano, sem mostrar nada.

 

. ADORAÇÃO * *

. Adoration, 2008

. Drama

. DVD

. 05.12.09

. Atom Egoyan faz uma discussão interessante sobre transmissão da comunicação nos tempos atuais num drama intimista um tanto vazio.

 

. A TERRA PERDIDA [O ELO PERDIDO] * *

. Land of the Lost, 2009

. Aventura

. DVD

. 05.12.09

. Esta nova versão com Will Ferrell da série dos anos 70, "O Elo Perdido", resulta numa diversão boba demais para ser levada a sério.

 

. CHE – A GUERRILHA * * * *

. Che – Part Two, 2008

. Drama

. DVD

. 06.12.09

. Nesta segunda parte de seu épico sobre Che Guevara, Soderbergh nos joga no meio dos ideais da revolução latino-americana.

 

. A VIDA SECRETA DAS ABELHAS * * *

. The Secret Life of Bees, 2008

. Drama

. DVD

. 07.12.09 – madrugada

. Baseado em Best Seller querido nos EUA, uma história sobre os laços que nos unem e o preconceito que nos separa.

 

. CONTOS DO DIA DAS BRUXAS * *

. Trick ‘r Treat, 2008

. Terror

. DVD

. 08.12.09 – feriado Nossa Senhora da Conceição

. Bryan Singer produz a estreia na direção de Michael Dougherty, porém o resultado fica muito aquém do esperado.

 

. SEASON’S GREETINGS * * *

. Idem, 1996

. Curta-metragem

. DVD

. 08.12.09

. Curta de animação à moda antiga feito por Dougherty na faculdade, curioso por apresentar Sam, o sinistro anfitrião de "Contos do Dia das Bruxas".

 

. YELLOW SUBMARINE * * *

. Idem, 1968

. Animação

. NetMovies (streaming)

. 09.12.09 – madrugada

. A lisérgica animação na qual os Beatles embarcam num submarino amarelo para salvar Pepperland dos Blue Means (ou Malvados Azuis) ainda hoje soa curiosa. O enredo completamente delirante, acompanhado pelas cores, é apenas desculpa para números musicais que vão desde a canção-título a Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.

 

. CONFISSÕES DE UMA GAROTA DE PROGRAMA * *

. The Girlfriend Experience, 2009

. Drama

. DVD

. 10.12.09

. Soderbergh faz de Sala Gray uma atriz comportada num drama acerca da solidão nas relações humanas.

 

. SUBSTITUTOS * * *

. Surrogates, 2009

. Ficção

. DVD

. 13.12.09

. Uma premissa interessantíssima com seu potencial de ficção cult esfriado graças a um roteiro medíocre e a uma direção padrão.

MICRORRESENHAS TWITTER - DEZEMBRO (pt 2)

 

 

. A PRINCESA E O SAPO * * *

. The Princess and the Frog, 2009

. Animação

. Cinema

. 14.12.09

. Ainda que possua falhas de roteiro e direção dentro de uma trama fraca, é sempre saboroso assistir a uma animação 2D.

 

. O SOLISTA * * *

. The Soloist, 2009

. Drama

. Cinema

. 15.12.09

. Joe Wright dirige bem este drama acerca do poder transformador da música e da amizade. Pena não ter um roteiro um pouco melhor.

 

. TEMPOS DE PAZ * * *

. Idem, 2009

. Drama

. DVD

. 16.12.09

. A direção canhestra de Daniel Filho e o apego do elenco à teatralidade do texto impedem este filme de ter um resultado melhor.

 

. AVATAR * * * *

. Idem, 2009

. Ficção

. Cinema – com Chiquim

. 17.12.09 – préestreia

. A evolução dos efeitos especiais num roteiro formulaico, um visual de cair o queixo e um subtexto ecológico importantíssimo. Cool!

 

. TEOREMA * * * *

. Idem, 1968

. Drama

. DVD

. 20.12.09 – madrugada (aniversário da Marina)

. Uma das melhores obras de Pasolini, polêmica e, sobretudo, provocativa. Os valores pequeno-burgueses desmascarados sem concessões.

 

. NICK & NORAH: UMA NOITE DE AMOR E MÚSICA * * *

. Nick & Norah’s Infinite Playlist, 2008

. Comédia

. DVD

. 20.12.09 – madrugada

. Comédia bobinha, mas muito simpática. Ganha ponto pela trilha sonora, o carisma do elenco e a direção tentando ampliar tudo.

 

. VERONIKA DECIDE MORRER * * *

. Veronika Decides to Die, 2009

. Drama

. DVD

. 20.12.09

. Da obra de Paulo Coelho, ignora as viagens astrais para focar no fator humano. Como no livro, faltou profundidade.

 

. OS PIRATAS DO ROCK * * * ½

. The Boat that Rocked, 2009

. Comédia

. DVD

. 20.12.09

. Richard Curtis faz uma homenagem divertidíssima ao rock britânico dos anos 60 sob a ótica das populares rádios-piratas.

 

. OS ANJOS EXTERMINADORES * * *

. Le Anges Exterminateurs, 2006

. Drama

. DVD

. 21.12.09 – madrugada

. Instigante filme de Brisseau em cima da tese desejo versus tabu. Cenas fortes de sexo lésbico numa obra para poucos.

 

. WOODSTOCK, 3 DIAS DE PAZ, AMOR E MÚSICA * * * * ½

. Woodstock, 3 Days of Peace & Music, 1970

. Documentário

. Oscar de Melhor Documentário

. DVD

. 24.12.09 – véspera de Natal

. O mais famoso festival de música e paz do século XX eternizado neste excelente documentário com quase 4 horas de duração.

 

MICRORRESENHAS TWITTER - DEZEMBRO (pt 3)

 

. SEM VESTÍGIOS * * ½

. Untraceable, 2008

. Suspense

. DVD

. 23.12.09

. Possui uma crítica oportuna em relação à midiatização da tragédia, sobretudo na internet. Contudo, é um thriller bem morno.

 

. O SALÁRIO DO MEDO * * * *

. Le Salaire de la Peur, 1953

. Suspense

. P&B

. Grande Prêmio do Festival de Cannes

. Urso de Ouro do Festival de Berlim

. DVD

. 25.12.09 – Natal

. Neste clássico, Clouzot escancara a natureza humana diante da ambição e do medo. Momentos de tensão interessantíssimos!

 

. GAMER *

. Idem, 2009

. Ação

. DVD

. 26.12.09

. Gerard Butler parece cego em tiroteio no segundo filme ruim da dupla Neveldine/Tayor ("Adrenalina 2") só este ano. Isso é que é talento!


. A BATALHA DE SEATTLE * * *

. Battle in Seattle, 2007

. Drama

. DVD

. 28.12.09

. As manifestações contra o encontro da OMC em 1999 sob a visão de Stuart Towsend, estreando aqui como cineasta. Ator medíocre de lixos como "A Rainha dos Condenados" e "A Liga Extraordinária", Towsend parece se sair bem melhor por trás das câmeras.

 

. ENCONTRO DE CASAIS * * *

. Couple Retreat, 2009

. Comédia

. Cinema – com Rossana

. 29.12.09

. Quatro casais resolvendo seus problemas numa comédia de risos fáceis e astral lá no pico. Recomendável.

 

. O EFEITO DA FÚRIA * * *

. Winged Creatures, 2008

. Drama

. DVD

. 30.12.09

. Estudo intimista das consequências de um mesmo evento traumático sobre diferentes pessoas. Elenco interessante.

 

. HARVEY * * * *

. Idem, 2001

. Curta-metragem

. P&B

. Rmvb

. 30.12.09

. Curta-metragem em P&B surrealista e perturbador sobre um homem literalmente vivendo pela metade. Original e melancólico.

 

. ACONTECEU EM WOODSTOCK * * *

. Taking Woodstock, 2009

. Drama

. AVI

. 31.12.09

. Mesmo podendo ter feito melhor, Ang Lee capta o espírito de transformação da época e recria bem o famoso festival.

 

. COISAS INSIGNIFICANTES * * * *

. Cosas Insignificantes, 2008

. Drama

. AVI

. 31.12.09

. Histórias humanas se intercruzam por meio das coisas insignificantes do título. Um filme de tocante sensibilidade.

 

. SEGUNDA CHANCE PARA O AMOR * * *

. Purple Violets, 2007

. Romance

. DVD

. 31.12.09

. O diretor/ator Edward Burns dileta acerca do reencontro dos amores antigos e literatura de mercado. Simpático. Carregando nos diálogos e na economia de planos, Burns seria a versão modesta de Woody Allen. Suas cirandas amorosas também ocorrem em Nova York.

 

MICRORRESENHAS TWITTER - NOVEMBRO (pt 1)

. CARGA EXPLOSIVA 2 * * *

. Transporter 2, 2005

. Ação

. Domingo Maior

. 01.11.09

. Divertido, exagerado, desenfreado. A trama é só uma desculpa para Jason Statham ser o mais novo action hero do cinema.

 

. A MONTANHA ENFEITIÇADA * * *

. Race to Witch Mountain, 2009

. Aventura

. DVD

. 02.11.09 – Dia dos Finados

. Este remake de "Fuga para a Montanha Enfeitiçada", de 75, continua sendo um filme-família enxuto e despretensioso.

 

. ATOS QUE DESAFIAM A MORTE * * *

. Death Defying Acts, 2007

. Drama

. DVD

. 02.11.09

. A diretora Gillian Armstrong foca num Houdini edipiano e desenganador, porém passa longe de emocionar de fato.

 

. A REGRA DO JOGO * * * * *

. La Règle du Jeu, 1939

. Comédia

. P&B

. DVD

. 03.11.09

. Com um roteiro irretocável e momentos no melhor estilo vaudeville, Renoir expõe com cinismo o jogo das relações.

 

. TE AMAREI PARA SEMPRE * * * ½

. The Time Traveler’s Wife, 2009

. Drama

. Cinema – com Zé Orlando

. 05.11.09

. Péssimo título nacional para um filme curioso, baseado em best seller, sobre solidão e viagens no tempo. Bonito.

 

. A MULHER DO MEU AMIGO * * ½

. Idem, 2008

. Comédia

. DVD

. 08.11.09 – Enade

. Comédia sobre infidelidade enxuta e engraçada, baseada em texto de Domingos Oliveira, mas longe de Nelson Rodrigues.

 

. ENTRE OS MUROS DA PRISÃO * * *

. Les Hauts Murs, 2008

. Drama

. DVD

. 08.11.09

. Baseado numa história real, faz retrato, contundente em certos momentos, dos reformatórios franceses dos anos 30.

 

. MICHAEL JACKSON’S THIS IS IT * * *

. Idem, 2009

. Musical

. Cinema

. 10.11.09

. Além de uma bela homenagem a Michael Jackson, mostra o processo criativo por trás de um grande show que não chegou a acontecer.

 

. E DEUS DISSE A CAIM... * * *

. E Dio Disse a Caino, 1970

. Western

. DVD

. 12.11.09

. Klaus Kinski parte para a vingança neste faroeste italiano no qual um só homem é um exército inteiro.

MICRORRESENHAS TWITTER - NOVEMBRO (pt 2)

 

. 2012 * * *

. Idem, 2009

. Aventura

. Cinema – com Marcão

. 13.11.09

. O fim do calendário maia rende um filme-catástrofe longo, exagerado, tropeçado, visualmente impressionante e absurdamente divertido.

 

. JUIZO FINAL * * *

. Doomsday, 2008

. Ficção

. DVD – com papai

. 22.11.09

. Neil Marshall (“Abismo do Medo”) mistura punks e sociedade medieval ao imaginar o futuro assolado por um vírus. Pop e frenético.

 

. A ONDA * * * * ½

. Die Welle, 2008

. Drama

. DVD

. 23.11.09 – madrugada

. Inspirado em fatos reais, este filme alemão é um extraordinário e perturbador estudo da formação de ideologias autocráticas. "A Onda" mexeu comigo e merecia um texto de fato, apesar de o tempo ultimamente não estar ao meu lado. Mas não deixem de ver!

 

. O DÓLAR FURADO * * * ½

. Un Dollaro Bucato, 1965

. Western

. DVD

. 23.11.09 – madrugada

. Western spaghetti que toca nas feridas da guerra civil norte-americana e reúne os principais elementos do gênero. E como me lembrou @filipicloud, a trilha sonora é das melhores!

 

. A CARTOMANTE *

. Idem, 2004

. Drama

. Sessão Brasil

. 24.11.09 – madrugada

. Inspirado em um conto de Machado de Assis, um filme ruim do roteiro às atuações. Como se não bastasse, um desfecho horrível!

 

. ADRENALINA 2: ALTA VOLTAGEM *

. Crank: High Voltage, 2009

. Aventura

. DVD

. 27.11.09

. Nem mesmo o carisma de Jason Statham torna degustável esta insana continuação com estética experimental e roteiro tosco.

 

. PLANETA 51 * * *

. Planet 51, 2009

. Animação

. Cinema

. 30.11.09

. Esta animação co-produzida pela Espanha, Grã-Bretanha e EUA diverte transferindo o papel de alienígena para um ser humano. Satiriza o estereótipo do herói norte-americano escrachadamente e traz diversas referências aos filmes de ficção-científica dos anos 50. É a segunda animação neste ano a fazer isso, para quem está lembrado do também divertido (para menores) "Monstros vs. Alienígenas".

 

. BESOURO * * *

. Idem, 2009

. Aventura

. Cinema

. 30.11.09

. Os mitos do candomblé e a expressão da capoeira no Brasil dos anos 20 num filme muito bem finalizado e, sobretudo, coreografado.

MICRORRESENHAS TWITTER - OUTUBRO (pt 1)

 


Ruim *  Regular * *  Bom * * *  Muito bom * * * *  Excelente * * * * *

 

. VALSA COM BASHIR * * * *

. Vals im Bashir, 2008

. Animação

. DVD

. 01.10.09

. Esta impressionante animação sobre as cicatrizes da primeira Guerra do Líbano mescla gêneros e vira uma obra essencial.

 

. UMA NOITE NO MUSEU 2 * * ½

. Night at the Museum: Battle of the Smithsonian, 2009

. Comédia

. DVD

. 01.10.09

. Embora mantenha o espírito do primeiro, este filme tem menos graça natural e o roteiro soa ainda mais implausível.

 

. CORAÇÃO DE TINTA – O LIVRO MÁGICO * * *

. Inkheart, 2008

. Aventura

. DVD

. 01.10.09

. Sem maiores pretensões, esta fantasia acerca da magia dos livros possui uma premissa interessante e trama mirabolante.

 

. O SEQUESTRO DO METRÔ * * *

. The Taking of Pedham 1 2 3, 2009

. Suspense

. Cinema – com Marcão

. 03.10.09

. A direção de Tony Scott peca por seus eventuais excessos de estilo neste remake do interessante filme de 1974.

 

. O VISITANTE * * * * ½

. The Visitor, 2007

. Drama

. DVD

. 04.10.09

. Richard Jenkins em estupenda performance num contundente drama que discute o xenofobismo nos EUA pós-11 de setembro. Pra ver!

 

. DIVÃ * * *

. Idem, 2009

. Comédia

. DVD

. 04.10.09

. Os conflitos, aventuras e desejos da mulher pós-moderna apoiados na boa atuação de Lília Cabral. Bem finalizado, no fim das contas.


. SE EU FOSSE VOCÊ 2 * * *

. Idem, 2009

. Comédia

. DVD

. 05.10.09 – madrugada

. Mesmo não tendo nada de absurdamente engraçado e ainda conter alguns furos, consegue ser melhor que o primeiro. Pouco.

 

. MARCO ZERO * * *

. Day Zero, 2007

. Drama

. DVD

. 05.10.09

. Contundente reflexão acerca da guerra contra o terrorismo pós-11/09 pelo ponto de vista dos reservistas convocados.

 

. TÁ CHOVENDO HAMBURGUER * * * *

. Cloudy with a Chance of Meatballs, 2009

. Animação

. Cinema – com Marcão

. 07.10.09

. Baseada em um best seller infantil, esta animação é uma das mais criativas, originais e divertidas da temporada.

 

. BUDAPESTE * * *

. Idem, 2009

. Drama

. DVD

. 09.10.09

. A narrativa em off do protagonista extraída do livro de Chico Buarque soa artificial diante das belas imagens de Walter Carvalho.

 

. TRAMA INTERNACIONAL * * *

. The International, 2009

. Suspense

. DVD

. 09.10.09

. As corporações bancárias são o alvo deste suspense morno com Clive Owen e Naomi Watts e dirigido por Tom Tykwer.

 

MICRORRESENHAS TWITTER - OUTUBRO (pt 2)

 


. DUPLICIDADE * * *

. Duplicity, 2009

. Suspense

. DVD

. 11.10.09 – em Luis Correia

. O roteiro esperto de Tony Gilroy brinca com a espionagem corporativista ao mesmo tempo em que aborda a natureza das relações.


. FRUSTRADAS FÉRIAS DE VERÃO * * *

. Adventureland, 2009

. Comédia

. DVD

. 11.10.09 – em Luis Correia

. Com toques autobiográficos, esta comédia mal-intitulada por aqui possui bom elenco e alguma sensibilidade.

 

. SANTA SANGRE * * *

. Idem, 1989

. Terror

. AVI

. 12.10.09 – em Luis Correia

. Com inspirações em "Psicose", este terror cult de Jodorowsky com trama doentia e sanguinolenta é no mínimo curioso de se ver.

 

. UMA PROVA DE AMOR * * *

. My Sister’s Keeper, 2009

. Drama

. Cinema

. 16.10.09

. A direção pesada de Nick Cassavetes não poupa os chorões de plantão num melodrama com essa única intenção. Levem lenços.

 

. SINÉDOQUE, NOVA IORQUE * * * ½

. Synedoche, New York, 2008

. Drama

. DVD

. 17.10.09

. Charlie Kaufman cria uma obra complexa sobre a negação da vida, mas emocionalmente distante do espectador.

 

. 17 OUTRA VEZ * *

. 17 Again, 2009

. Comédia

. DVD

. 17.10.09 – com Lívia

. O astro de "High School Music", Zac Efron, numa comédia à la Sessão da Tarde com bons momentos, porém bem bobinha no geral.

 

. MINHAS ADORÁVEIS EX-NAMORADAS * *

. Ghosts of my Girlfriends Past, 2009

. Comédia romântica

. DVD

. 17.10.09

. Esta brincadeira romântica com “Um Conto de Natal” de Charles Dickens não possui nenhum charme em particular.


. GARTO * * *

. Idem, 2006

. Curta-metragem

. AVI

. 18.10.09 – com Lívia

. Escrito e dirigido por Luis Gómez Guzman, este curta de animação divertidíssimo mostra um lagarto perseguindo uma abelha.

 

. USINA DE SONHOS * *

. The Mysteries of Pittsburgh, 2008

. Drama

. DVD

. 22.10.09

. Boas ideias e um bom elenco desperdiçados numa adaptação pobre do livro de Michael Chabon ("Garotos Incríveis").

 

. TERRITÓRIO RESTRITO * *

. Crossing Over, 2009

. Drama

. DVD

. 23.10.09

. Tenta fazer um painel da questão dos imigrantes ilegais nos EUA com tramas que se cruzam, porém nenhuma a contento.

 

MICRORRESENHAS TWITTER - OUTUBRO (pt 3)


. FAHENHEIT 451 * * * *

. Idem, 1966

. Ficção

. Site NetMovies

. 25.10.09

. A adaptação de Truffaut da distopia de Ray Bradbury resulta num empolgante e essencial filme. Direção brilhante.


 

. SALÓ OU OS 120 DIAS DE SODOMA * * *

. Salò o le 120 giornate di Sodoma, 1975

. Drama

. Site NetMovies

. 25.10.09

. Mais do que uma crítica ao fascismo, o último filme de Pasolini é uma descida dantesca às perversões sexuais. Polêmico autor/diretor de obras como "Teorema" e "Decameron", Pier Paolo Pasolini foi assassinado logo após terminar de gravar "Saló", em 75.

 

. INCENDIÁRIO * * ½

. Incendiary, 2008

. Drama

. DVD – com mamãe, papai e Lívia

. 25.10.09

. Agora é a Grã-Bretanha que discute o terrorismo pós-11/09, num drama de premissa interessante, mas com resultado irregular.


. DESONRA * * *

. Disgrace, 2008

. Drama

. DVD

. 26.10.09

. John Malkovich perde a chance de entregar uma grande performance num ótimo filme que mexe com a tolerância do espectador.

 

. HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO * * * ½

. Il y a Longtemps que Je T’aime, 2008

. Drama

. Indicado a 2 Globos de Ouro (filme estrangeiro e atriz)

. DVD

. 26.10.09

. Apoiado em grandes atuações, este drama difícil e bem escrito ainda possui o mérito de não cair no melodrama.

 

. QUASE DEUSES * * * ½

. Something the Lord Made, 2004

. Drama

. Indicado a 2 Globos de Ouro (filme para TV e ator coadjuvante)

. DVD

. 26.10.09

. A história por trás da primeira cirurgia cardíaca realizada rende um belo filme acerca de sonho, ambição e superação.

 

. TUDO POR ELA * * *

. Four Elle, 2008

. Suspense

. DVD

. 26.10.09

. Este suspense francês com roteiro inteligente e boas atuações consegue prender a atenção do início ao fim. Recomendo.

 

. SOB O CÉU DO LÍBANO * * ½

. Le Cert-Volant, 2003

. Drama

. DVD

. 29.10.09 – aniversário do papai

. Embora interessante, e até bonito, este "Romeu e Julieta" na fronteira Líbano/Israel fica aquém do que poderia ser.

 

. GIALLO – REFÉNS DO MEDO * *

. Giallo, 2009

. Suspense

. DVD

. 30.10.09

. O título homenageia o subgênero popularizado pelo próprio Argento, contudo o suspense é fraco e o gore é contido.


. BASTARDOS INGLÓRIOS * * *

. Inglourious Basterds, 2009

. Aventura

. Cinema

. 30.10.09

. Tarantino carrega nos diálogos, no estilo e na ausência de arcos dramáticos num filme divertido, contudo cansativo.

 

MICRORRESENHAS TWITTER - SETEMBRO (pt 1)

. TINHA QUE SER VOCÊ * * *

. Last Change Harvey, 2008

. Romance

. Cinema

. 02.09.09

. Quase um "Antes do Pôr-do-Sol" mais adulto. Fora as tramas paralelas dispensáveis, merece ser visto e sentido.

 

. BRÜNO * *

. Idem, 2009

. Comédia

. Cinema – com Marcão

. 05.09.09

. Estruturalmente semelhante a "Borat", peca na falta de organicidade de seu "enredo", soando forçado e gratuito em diversos momentos.

 

. MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE * * *

. Beyond Citzen Kane, 1993

. Documentário

. DVD – com Marcão

. 06.09.09

. Embora assumidamente tendencioso, este documentário sobre a Globo é um contundente painel do séc. XX no Brasil.

 

. PROIBIDO PROIBIR * * *

. Idem, 2007

. Drama

. Sessão Brasil

. 08.09.09 – madrugada

. Bom exemplo de cinema nacional acerca da juventude atual e da luta de uma minoria contra o conformismo social e político.

 

. O HOMEM QUE VIROU SUCO * * * *

. Idem, 1981

. Drama

. DVD

. 08.09.09

. Contundente reflexão acerca das angústias e amarguras pelas quais passa o retirante nordestino. Antológico!

 

. OS NORMAIS 2 – A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS * * *

. Idem, 2009

. Comédia

. Cinema – com Samira e Nana

. 09.09.09

. O humor escrachado e assumidamente nosense possui seus altos e baixos. A química entre o casal central continua irrefreável.

 

. O MISTÉRIO DE PICASSO * * * ½

. Le Mystère Picasso, 1956

. Documentário

. DVD

. 11.09.09 – Cine Clube Olho Mágico (UFPI)

. Tesouro nacional francês desde 1984, este documentário tenta captar o processo criativo de um gênio.

 

. VALENTE * * *

. The Brave One, 2007

. Suspense

. Cinemax

. 14.09.09 – madrugada

. O diretor Neil Jordan se une a Jodie Foster para refletir sobre a violência nas grandes metrópoles e suas neuroses e traumas.

 

. A VIA LÁCTEA * *

. Idem, 2007

. Drama

. Canal Brasil

. 14.09.09

. Apesar das boas atuações de Marco Ricca e Alice Braga, o filme dirigido por Lina Charmie possui graves problemas de ritmo.

MICRORRESENHAS TWITTER - SETEMBRO (pt 2)

 

. ANTICRISTO * * *

. Antichrist, 2009

. Terror

. DVD

. 15.09.09

. Forte e por vezes exagerado, o polêmico filme de Lars von Trier se apoia em grandes atuações para discutir a natureza feminina.

 

. SOY CUBA – O MAMUTE SIBERIANO * * *

. Idem, 2005

. Documentário

. Cefet

. 17.09.09

. Vicente Ferraz analisa a feitura do filme "Soy Cuba" (1964) e sua trajetória conturbada num documentário formal.

 

. UP – ALTAS AVENTURAS * * * *

. Up, 2009

. Animação

. Cinema

. 18.09.09

. Apesar de não ser uma obra-prima como "Wall•E", esta animação da Pixar trata da velhice e possui um início antológico!

 

. A ORFÃ * * ½

. Orphan, 2009

. Suspense

. Cinema

. 18.09.09

. Apoiando-se na revelação final, provoca bons momentos de tensão, embora seja formulaico e bebido em fontes como "O Anjo Malvado".

 

. DISTRITO 9 * * * ½

. District 9, 2009

. Ficção

. AVI

. 19.09.09 – aniversário de vovó Sinhareza

. Ação ininterrupta, efeitos realistas e trama absorvente pondo os aliens como vítimas do preconceito humano. Pode render série.

 

. A GAROTA IDEAL * * * *

. Lars and the Real Girl, 2007

. Drama

. DVD

. 21.09.09

. Ryan Gosling brilha neste curioso e comovente drama apto a diversas análises. Bem escrito e realizado, mesmo não original.

 

. EU TE AMO, CARA * * * ½

. I Love You, Man, 2009

. Comédia

. DVD

. 21.09.09

. Curiosa e engraçadíssima comédia sobre a busca pelo amigo ideal. O roteiro é esperto ao testar o preconceito do espectador.

 

. DUAS SEMANAS * *

. Two Weeks, 2006

. Drama

. DVD

. 22.09.09

. O american way of dead em um drama insosso e que estruturalmente não comove. Até Sally Field parece pouco inspirada.

 

. FORÇA POLICIAL * * *

. Pride and Glory, 2008

. Policial

. DVD

. 24.09.09

. A obsessão do diretor pelo realismo nas cenas faz este filme sobre corrupção na polícia quase descarrilar no final.

 

. PACTO SECRETO *

. Sorority Row, 2009

. Terror

. Cinema

. 28.09.09

. Este remake de uma fita de terror de 1983 possui roteiro estúpido e com mais furos que uma peneira. Perda total de tempo.

MICRORRESENHAS TWITTER - AGOSTO

 

.  A PROPOSTA * * *

. The Proposal, 2009

. Comédia Romântica

. Cinema – com Ivana

. 05.08.09

. Lembra um tanto "Green Card" pela temática, mas o roteiro é engraçado o suficiente para se ignorar a chatice de Sandra Bullock

 

. G.I. JOE: A ORIGEM DE COBRA *

. G.I. Joe, 2009

. Ação/Aventura

. Cinema

. 07.08.09

. Os saudosos bonecos dos Comandos em Ação viram gente num filme tão estúpido quanto esquecível. Pavoroso!

 

. CHE – O ARGENTINO * * * *

. Che part one, 2008

. Drama

. DVD

. 08.08.09

. Correto e historicamente relevante, de narrativa soberba e brilhante performance de Del Toro. Um triunfo de Soderbergh.

 

. A PARTIDA * * * * ½

. Departures, 2008

. Drama

. DVD

. 16.08.09

. Não só é um extraordinário painel da morte como um rito de passagem, mas também uma edificante celebração da vida. Maravilhoso!

 

. SE BEBER, NÃO CASE * * * ½

. The Hangover, 2009

. Comédia

. Cinema

. 24.08.09

. Divertidíssima comédia nosense, que flui de maneira orgânica e até mesmo surpreendente. Desopila sem problemas.

 

. À DERIVA * * *

. Idem, 2009

. Drama

. Cinema

. 27.08.09

. Ainda que remeta ao belíssimo "Tempestade de Gelo", de Ang Lee, possui personalidade e talento suficientes para se destacar.

 

. FORÇA G * * *

. G-Force, 2009

. Aventura

. Cinema

. 27.08.09

. Um roteiro bem bobinho e sequências de ação à lá Michael Bay resultam numa diversão muito, mas muito descompromissada.

 

. ARRASTE-ME PARA O INFERNO * * * ½

. Drag Me to Hell, 2009

. Terror

. Cinema – com Marcão

. 28.08.09

. Sam Raimi volta às origens num filme terrir bastante divertido e assustador. Prepare-se para pular na poltrona.

MICRORRESENHAS TWITTER - JULHO (pt 1)

 

. A ERA DO GELO 3 * * *

. Ice Age 3, 2009

. Animação

. Cinema – com Ivana

. 01.07.09

. Longe de ser uma grande animação, tem piadas ótimas, temas mais adultos (paternidade) e mantém o espírito dos anteriores.

 

. CANNABIS * * *

. Idem, 1970

. Drama

. Rmvb

. 13.07.09

. Em sua estreia no cinema, Pierre Koralnik dirige o casal Gainsbourg/Birkin, então no auge, num filme violento e instigante.

 

. LÚCIO FLÁVIO – O PASSAGEIRO DA AGONIA * * * ½

. Idem, 1977

. Policial

. Rmvb

. 13.07.09

. A crônica policial de Babenco é um contundente retrato da criminalidade da polícia e da popularidade dos bandidos.

 

. AMOR SÓ DE MÃE * * *

. Idem, 2002

. Curta-metragem

. Rmvb

. 13.07.09

. Perversão da letra de "Coração Materno", este curta nacional de terror bebido no gore e muito bem realizado.

 

. MORANGOS SILVESTRES * * * * *

. Smultronstället, 1957

. Drama

. Rmvb

. 14.07.09

. Ingmar Bergman fez uma obra profunda e excepcional sobre a velhice, a solidão e o apego às lembranças.

 

. O DORMINHOCO * * * *

. Sleeper, 1973

. Comédia

. Rmvb

. 14.07.09

. Enxuto, hilário e com o humor ácido, este é um dos filmes mais inspirados e inusitados de Woody Allen. Imperdível.

 

. HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE * * *

. Harry Potter and the Half-blood Prince, 2009

. Aventura

. Cinema

. 15.07.09

. O tom sombrio e o clima de conspiração tomam de conta. Mas, claro, há espaço para romance. Muito até.

MICRORRESENHAS TWITTER - JULHO (pt 2)

 

. GOMORRA * * * ½

. Camorra, 2008

. Policial

. DVD

. 17.07.09

. Painel forte do lucrativo e cruel crime organizado em Nápoles, em cinco histórias. Do corajoso livro de Roberto Saviano.

 

. O CASAMENTO DE RACHEL * * * *

. Rachel Getting Married, 2008

. Drama

. DVD

. 18.07.09 – madrugada

. Forte retrato de traumas familiares irreparáveis. Ótima atuação de Anne Hathaway, num filme que cresce aos poucos.

 

. CONTOS DO CARGUEIRO NEGRO * * *

. Tales of the Black Freighter, 2009

. Animação

. DVD

. 18.07.09 – madrugada

. Bom curta de animação baseado na história lida por um garoto na trama de "Watchmen". Não causa maior impacto.

 

. FELIZ NATAL * * * *

. Idem, 2008

. Drama

. DVD

. 18.07.09

. A estreia de Selton Mello na direção é um soco no estômago. Não rende um filme fácil a busca por uma redenção familiar.

 

. FOI APENAS UM SONHO * * * ½

. Revolutionary Road, 2008

. Drama

. DVD

. 18.07.09

. A intimidade de um casamento destruindo o american way of life. Sam Mendes quase faz um grande filme. Quase faz.

 

. DÚVIDA * * * *

. Doubt, 2008

. Drama

. DVD

. 18.07.09

. O duelo entre Philip Seymour Hoffman e Meryl Streep, junto com a dúvida sustentada, fazem deste um filme absolutamente imperdível.

 

. QUASE IRMÃOS * * *

. Step Brothers, 2008

. Comédia

. DVD

. 19.07.09

. Comédia nosense, e por vezes hilária, fruto da tendência atual de se mostrar quarentões virgens e infantis. Dá para assistir.

 

. EU, MEU IRMÃO E NOSSA NAMORADA * * * *

. Dan in the Real Life, 2007

. Romance

. DVD

. 19.07.09

. Se você não esperar nada, este filme poderá surpreendê-lo de maneira gratificante. Roteiro e final ótimos.

 

. UM HOMEM BOM * *

. Good, 2008

. Drama

. DVD

. 19.07.09

. Almeja ser contemporâneo e quebrar paradigmas. A epifania do Holocausto é no fim, mas o filme se esquece de causar impacto.

 

. UM SEGREDO ENTRE NÓS * * *

. Fireflies in the Garden, 2008

. Drama

. DVD

. 19.07.09

. Excelente montagem num filme sobre como os traumas familiares ecoam. Chega a ter momentos interessantes e poéticos.

 

. RIO CONGELADO * * * ½

. Frozen River, 2008

. Drama

. DVD

. 20.07.09

. Melissa Leo entrega uma atuação surpreendente num filme interessantíssimo que merece ser descoberto. Indicado a 2 Oscars.

MICRORRESENHAS TWITTER - JULHO (pt 3)

 

 

. INIMIGOS PÚBLICOS * * * ½

. De Michael Mann, 2009

. Policial

. Cine Benfica

. 25.07.09 (Fortaleza)

. O diretor Michael Mann bebe em sua própria fonte ("Heat") e faz um filme de gângster à moda antiga e imperdível.

 

 

. CURTAS DE ANIMAÇÃO CUBANOS

. De Juan Padrón

. Casa Amarela

. 19º Cine Ceará

. 29.07.09 – com Rafael

. Veterano cineasta e cartunista cubano, Padrón esteve presente no festival, foi homenageado e esbanjou simpatia nos dois discursos que vi.

 

. CAPISTRANO NO QUILO * * *

. De Firmino Holanda, 2007

. Curta-metragem (CE)

. Cine São Luis

. 19º Cine Ceará

. Au Concour

. 29.07.09 – com Rafael

. Curta documental sobre o historiador cearense Capistrano de Abreu, defensor dos ideais da Revolução Francesa.

 

. LEITURAS CARIOCAS * * *

. Curta-metragem (RJ)

. Cine São Luis

. 19º Cine Ceará

. Mostra Competitiva Ibero-Americana de Curtas-metragens

. 29.07.09 – com Rafael

. O cotidiano dos passageiros de metrô no RJ sob um ponto de vista muito bem sacado - o que leem a caminho do trabalho.

 

. SELOS * * *

. Curta-metragem (CE)

. Cine São Luis

. 19º Cine Ceará

. Mostra Competitiva Ibero-Americana de Curtas-metragens

. 29.07.09 – com Rafael

. Sensível curta cearense sobre as válvulas de escape da realidade não compreendida pela infância.

 

. A MULHER BIÔNICA * * *

. Curta-metragem (CE)

. Baseado no conto de Caio Fernando Abreu

. Cine São Luis

. 19º Cine Ceará

. Mostra Competitiva Ibero-Americana de Curtas-metragens

. 29.07.09 – com Rafael

. Também cearense, este curta seco e forte baseado num conto de Caio Fernando Abreu.

 

. EL PREMIO * * * ½

. Drama (Peru)

. Cine São Luis

. 19º Cine Ceará

. Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longas-metragens

. 29.07.09 – com Rafael

. Dirigido pelo peruano Alberto Durant, um drama muito humano e comovente, de uma simplicidade rara e madura. Ótimo desfecho.

 

. SILÊNCIO E SOMBRAS * * *

. Curta-metragem de animação

. Inspirado num poema de Goethe

. Cine São Luis

. 19º Cine Ceará

. Mostra Competitiva Ibero-Americana de Curtas-metragens

. 30.07.09 – com Rafael

. Baseado num poema de Goethe, este curta de animação faz metáfora do fim da infância com uma cavalgada sombria.

 

. PASSOS NO SILÊNCIO * *

. Curta-metragem (CE)

. Cine São Luis

. 19º Cine Ceará

. Mostra Competitiva Ibero-Americana de Curtas-metragens

. 30.07.09 – com Rafael

. Do Ceará, viagem subjetiva de uma professora traduzindo um poema em alemão. Bem fotografado, mas nem tão marcante.

 

. OS DEUSES QUEBRADOS * ½

. Los Dioses Rotos (Cuba)

. Drama

. Cine São Luis

. 19º Cine Ceará

. Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longas-metragens

. 30.07.09 – com Rafael

. Não consegui entrar no clima deste drama cubano de montagem irregular sobre prostituição e sincretismo religioso.

 

. O MENINO DO PIJAMA LISTRADO * * * *

. The Boy in the Striped Pyjamas, 2008

. Drama

. UFC – alojamento

. DVD

. 31.07.09

. De temática semelhante à de "Um Homem Bom", porém bem realizado, bonito e de muito impacto. Recomendadíssimo!

 

MICRORRESENHAS TWITER - JUNHO

 

. ESPAÇO MARGINAL * * *

. Idem, 1981

. Curta-metragem

. DVD – UFPI: aula de Cultura Contemporânea I

. 03.06.09

. Ontem tive o prazer de sair com a turma do Mel de Abelha. Luis Carlos Sales, Valderi, Socorro e Dácia. E pra onde levo a trupe? Pro Buteco! Quando percebi que presenciava a rara reunião de lendas do cinema piauiense, e velhos amigos, senti uma emoção gostosa. Foi um gás pra mim. O Mel de Abelha realizou seis curtas-metragens em super-8 de 1980 a 1985. "Espaço Marginal" e "Pagode de Amarante" são pérolas do cinema PI.

 

. DIVINO ENCANTO * * *

. Idem, 2009

. Documentário

. Clube dos Diários – Sala Torquato Neto

. 04.06.09

. Um documentário honesto sobre sua própria feitura. Luciano Klaus perde várias chances de alçar vôos maiores.

 

. O RETORNO DO FILHO * * *

. Idem, 2009

. Documentário

. Clube dos Diários – Sala Torquato Neto

. 04.06.09

. Douglas Machado se coloca entre Alberto da Costa e Silva e o espectador, impedindo uma abstração maior de seu filme.

 

. EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO * * *

. Termination Salvation, 2009

. Ficção

. Cinema – com Marcão

. 05.06.09

. Melhor que o anterior, porém sem chegar aos pés dos dois primeiros. Barulhento e desfecho fraquíssimo.

 

. A MULHER INVISÍVEL * * * ½

. Idem, 2009

. Comédia

. Cinema – com Marcão

. 05.06.09

. As projeções machistas numa comédia com timing e ótimas atuações, que derrapa no final arrastado. Ah, nunca me identifiquei tanto com um filme nacional como esse. Tô surtando que nem o Selton Melo. Luana Piovani está bem aqui do meu lado.

 

. INTRIGAS DE ESTADO * * *

. State of Play, 2009

. Suspense

. Cinema

. 18.06.09

. Uma boa reflexão sobre a crise do jornalismo impresso, sobretudo agora com a queda do diploma.

 

. TRANSFORMERS: A VINGANÇA DOS DERROTADOS *

. Revenge of the Fallen, 2009

. Aventura

. Cinema

. 23.06.09

. Comédia pirotécnica boba e sem nenhuma graça. Sem o charme retrô do original, um filme dispensável

 

. JEAN CHARLES * * *

. Idem, 2009

. Drama

. Cinema

. 30.06.09

. Acerta em mostrar o protagonista como alguém comum, mas falha naquilo o que se propõe – provocar alguma emoção no público.

BANHO-MARIA

 

Adiado em oito meses pela Warner por conta do estrondoso sucesso financeiro de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” ano passado, o sexto filme do jovem bruxo criado pela escritora inglesa J. K. Rowling chega aos cinemas cercado das mais altas expectativas dos fãs e daqueles que apenas acompanham a série. Ao pé da letra, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, novamente dirigido por David Yates, segue conduzindo Hogwarts para a escuridão, deixando de lado o colorido dos primeiros filmes em prol do desolador cinzento da proximidade do confronto derradeiro (quem sabe) entre Potter e Voldemort. Yates usa toda a sua bagagem para criar um tom urgente e sombrio, dando maior ênfase aos ótimos antagonistas Severo Snape e Draco Malfoy, o destaque desta produção. Além disso, confere credibilidade à sensação de perigo a espreitar os cantos escuros e os portões da famosa escola de bruxaria.

Cujo diretor, professor Alvo Dumbledore, ganha também mais destaque – não por acaso, como saberemos no desfecho do filme –, usando o personagem-título para descobrir um grande segredo de Você-Sabe-Quem. Sem conseguir escapar das amarrações de uma narrativa episódica, “O Enigma do Príncipe” repete as mesmas informações repassadas pelos filmes anteriores, acrescentando novas para, mais uma vez, deixar a sensação de estar jogando os verdadeiros desenlaces para o capítulo final. Este, talvez, seja dividido em duas partes, apenas para provavelmente a primeira parte final jogar tudo para a parte final final, e com isso levar junto mais um bom par de anos de nossas vidas. Na primeira década deste novo século, o nome Harry Potter está tatuado de uma ponta a outra. Pesquisas sobre personagens famosos sempre citam a cria de Rowling como a dominante desta geração.

Tal observação clareia a análise de franquia a médio e longo prazo. Séries grandes, “Star Wars”, os filmes de James Bond, da Pantera Cor-de-Rosa (com Peter Sellers), Harry Potter e agora a saga romântico-vampiresca iniciada com o bobo “Crepúsculo”, reforçam a ideia de que esses filmes deixam de ser exclusivamente criações artísticas para assumirem contornos de produtos industrializados à prova de críticas. Sendo bons, medianos ou ruins, eles sempre serão lidos e vistos por milhões de pessoas, independentes da malhação ou não em cima deles. Depois de serem cristalizados como parte da cultura contemporânea, acionam o piloto automático criativo e vão rumo à glória. Mantendo sempre a mesma estrutura de sucesso, passam por cima de crises financeiras e depressões individuais, acelerando o nosso próprio envelhecimento sem nos darmos conta disso e se tornando prisões para os seus criadores.

Acerca disso, a própria Rowling admitiu ter pensando em quebrar o braço para não poder escrever (como se ela não pudesse ditar, como fazia Sidney Sheldon), enquanto Daniel Radcliffe, intérprete de Potter, acredita no fim da saga como sua libertação. Só se for mesmo a “libertação” de algo a acompanhá-lo, segui-lo pelo resto da vida. Após dar-se nome aos bois e rostos a sentimentos, o caminho não tem retorno. É uma linha reta e seca em direção ao distanciamento do passado, tarefa difícil e penosa. Fácil mesmo é estar preso à própria acomodação de acompanhar, sem sair da poltrona, grandes jornadas de figuras de mentira (ora significativas, ora sem muito conteúdo autêntico) ao longo dos anos. A saga “Harry Potter” é como um namoro levado no banho-maria: vai tentando agradar empurrando com a barriga, conduzindo os fãs, apaixonados, a cada vez mais perto do inexorável fim.


 

 

 

SOM E FÚRIA

 

“Transformers: A Vingança dos Derrotados”, em cartaz na cidade desde o dia 23, trata-se um dos piores exemplares de enlatados cinematográficos norte-americanos aportados por aqui neste primeiro semestre do ano. Certamente outros virão, contudo a continuação do sucesso de 2007, divertido por seu charme retrô de matinê e por não se levar a sério, amplia tanto as particularidades da fonte que cai em sua própria armadilha: de almejar fervorosamente o escapismo da década oitentista com a pirotecnia deste início de século, acaba resultando numa sessão comprida e absolutamente boba, e, ao invés de não se levar a sério, parte do pressuposto de que é o espectador que não deve ser levado.

Novamente dirigido por Michael Bay, assessorado por Steven Spielberg, o fiapo de roteiro demora a engrenar, esticando ao máximo as sequências de ação para ludibriar o público quanto à falta de criatividade do enredo, o qual força das maneiras mais absurdas a presença de todos os que participaram do filme anterior. Apela para a comédia mais infantil e não raramente nosense para mostrar Sam (Shia LaBeouf) indo para a faculdade, enquanto os Autobots (os robôs do bem) se associaram aos humanos para caçar os Deceptions (os robôs do mal) remanescentes da vitória sobre Megatron, contido no fundo do oceano – não por muito tempo. Sinceramente, a história não importa muito aqui. Rasa como um pires, serve apenas de desculpa para Michael Bay sair do ponto de vista dos humanos e erguer sua câmera para o ponto de vista dos robôs, o que muda muita coisa. Aliás, tudo.

De cima, os habitantes da Terra são burros como uma porta e não oferecem nenhuma dificuldade para Fallen, o grande vilão da vez, articular e executar sua vingança contra os Autobots. De baixo, o roteiro, dos mesmos nomes por trás do novo “Star Trek”, não deixa espaço para os conflitos humanos, resumidos a quem, no casal Sam e Mikaela, conseguirá declarar seu amor primeiro. Cada movimento da história é de uma obviedade frustrante, espaçadas ora pela ação desenfreada que só Bay consegue estragar ora pelos devaneios cômicos saídos da mais boba comédia adolescente-vaudeville, se cabe o termo. O ato final é uma loucura de efeitos especiais e caos de batalha. Som e fúria geradores de lucros, sem dúvida nenhuma. Ainda assim, o embate final entre Optimus Prime e Fallen não satisfaz diante do que poderia ter sido. Levar a briga para o deserto do Egito não foi das melhores escolhas. Os gigantes se apequenam diante das pirâmides e dos espaços e terminam revelando o que são de fato: bonecos articulados sob medida para satisfazer a garotada.

Garotada hoje crescida e atraída para não deixa passar em branco as formas e o charme da alardeada substituta de Angelina Jolie, a estonteante Megan Fox, intérprete da personagem Mikaela. O novo sonho de consumo de onze entre cada dez marmanjos (e, por que não dizer, das meninas, afinal a moça já assumiu sua bissexualidade, deixando o caminho aberto para todos) vira mero objeto sexual nas mãos de Michael Bay, que faz da primeira aparição dela um pôster típico de revista masculina – e duvido muito que alguém consiga tirar da cabeça o plano dela de shortinho debruçada sobre uma moto durante todo o resto do filme. Mas isso é mero (e até um bom) detalhe diante da chatice que é este “Transformers: A Vingança dos Derrotados”, que ainda conta com atuações ridículas de pessoas frequentemente boas, robôs-gêmeos mais irritantes do que Chris Rock, a câmera impregnada dos vícios narrativos do diretor e até mesmo uma sugestão de fraqueza por parte do governo dos EUA diante das exigências terroristas. Com tanta comicidade em cena, o próprio filme vira um grande alívio cômico. O problema é que a piada é longa demais.

Artigo publicado no jornal O Dia em 30.06.09

 

O REFLEXO DA CRISE


Em “Intrigas de Estado”, filme em cartaz no Teresina Shopping, o jornalista interpretado por Russell Crowe ajuda o amigo congressista vivido por Ben Affleck a limpar a imagem após este ter um ataque de pânico, por conta da morte de sua assistente, durante a audiência de um processo contra uma gigantesca companhia de segurança. Imediatamente, todos os meios de comunicação especulam o caso amoroso entre os dois e o suposto suicídio da moça. Contudo, como o espectador é levado a saber antes dos quinze minutos de projeção, trata-se de um assassinato em meio a uma conspiração corporativista. Ou quem sabe não.

O thriller dirigido por Kevin Macdonald (“O Último Rei da Escócia”) toma emprestada a trama de uma minissérie inglesa de 2003 para discutir como pano de fundo a crise pela qual passa o jornalismo impresso. Logo no início do filme, tem-se um interessante embate entre a internet e a velha mídia. A velocidade da notícia chegou a tal ponto que, no afã por um artigo quente, no sentido de sair na frente, acaba-se noticiando o superficial, a especulação, em detrimento da verdade. Os sites e blogs são tão ávidos por publicar a notícia no mesmo instante em que ela acontece que se atêm ao básico e terminam por vezes cometendo o erro da parcialidade. Toda história tem dois lados. Às vezes mais.

Assim como aprendemos em filmes como “Todos os Homens do Presidente”, dirigido por Alan J. Pakula em 1976, supervalorização do jornalismo investigativo. É preciso checar a história, ter fontes consistentes, anônimas ou não, antes de publicá-la. “Intrigas de Estado” retoma um pouco desse espírito, porém mostra o quanto o jornalismo mudou nos últimos trinta anos. Se no filme de Pakula o editor luta por seus repórteres e deixa-os seguir o velho e bom faro jornalístico, a editora feita por Helen Mirren aqui defende os donos do jornal, os publicitários, os que são os grandes responsáveis por mantê-lo em circulação. A crise do jornal impresso é tão séria que tudo vira notícia, até mesmo a equivocação da mesma. O que importa e garante retorno financeiro é ter o scoop, o furo, a notícia em exclusividade, não importando se ela não for cem por cento verdadeira.

O que nos leva a um outro filme chamado “O Preço de uma Verdade”, dirigido por Billy Ray, que não à toa é um dos que assinam o roteiro deste “Intrigas de Estado”. O personagem feito por Hayden Christensen forja suas matérias, que são passadas adiante sem ninguém checá-las. Ética jornalística é assunto caro, e a falta de filtro do jornalismo comercial vigente periga uma nova conformação desse conceito. Obviamente são projeções da própria parcialidade da trama do filme de Macdonald, que termina resultando na pauta: velha mídia mostra à nova como é que se faz. Uma personagem fala algo do tipo “há coisas que os leitores merecem ler em mãos”. Tentativa de contornar a crise e mostrar que o jornal impresso ainda possui um caráter muito particular.

Romantizado no desfecho do filme, depois que todas as reviravoltas já moldaram outros subtextos, aderindo aos implausíveis (coisas de Hollywood), a batalha pela publicação do artigo correto, contando a verdade dos fatos, o jornalismo utópico do cinema. Difícil, para quem é jornalista ou estudante de comunicação social, não ganhar certo gás passageiro, até mesmo se emocionar e esquecer todos os tropeços da obra. Agora que teremos todos que lidar com a não-obrigatoriedade do diploma, o que certamente fará eco no mercado de trabalho e forçará uma reestruturação do curso acadêmico, o percurso que o artigo faz da tela do computador, passando pela diagramação e pela rotativa, até ser impresso como parte do jornal resulta no melhor momento de “Intrigas de Estado”. Pena que aconteça durante os créditos finais.


Publicado no jornal O Dia em 23.06.09

O CORAÇÃO DA MÁQUINA

 

O futuro nunca foi bem visto pelo cinema. Sempre se anunciou que a máquina dominaria o homem e que quando isso acontecesse teríamos que lidar com robôs autoconscientes, extraterrestres reivindicando direitos como se pagassem impostos e os clones de nossa própria espécie querendo driblar a burocracia. Após o colapso provocado por nossa própria indulgência, não haverá mais tempo para os conflitos de diferença. Vamos precisar nos unir em prol da continuidade humana na Terra. A inquisição, o massacre dos índios e o holocausto serão notas de rodapé. No futuro, para que todos possam se unir e viver como um, é preciso uma ameaça maior e as divergências do passado apagadas. Ao menos, é assim que o cinema prevê o que está por vir.

O que nos leva ao ano 2018, quando a trama de “Exterminador do Futuro: A Salvação” acontece. A guerra dos homens contra as máquinas da Skynet está a pleno vapor. John Connor é o líder da Resistência. Ainda segue as orientações da mãe por meio de fitas de áudio deixadas por ela. Está prestes a ser pai e a conhecer o adolescente que será seu pai quando este voltar a 1984, ano do primeiro filme. Até aí tudo bem. Quem conhece a série iniciada por James Cameron se situa nas linhas acima sem maiores problemas. Porém, contrariando qualquer expectativa, Connor não soa como protagonista da história, o roteiro é fiel aos anteriores, mas não vai além por pura estratégia mercadológica, e as questões abordadas são superficiais demais para aumentar qualquer interesse pelo filme.

Ao invés de ser um líder carismático, John Connor é ranzinza, tem a cara amarrada e mal consegue gritar (e só vive gritando). É um líder monárquico, digamos assim. Foi Sarah, sua mãe, quem primeiro revelou o Julgamento Final e como seriam as coisas depois dele. Ela disse que o filho seria o porta-voz da Resistência, ninguém ousou questionar e, como numa sucessão monárquica, ele sentou no trono. Um roteiro inteligente usaria isso como questionamento, faria Connor sentir o peso de ser o novo Messias e enriqueceria a obra. Não apenas teria um primeiro ato caótico, jogando o espectador no centro da batalha a fim de que o diretor McG usasse planos longos e elaborados para mostrar que sabe usar a câmera e o falso protagonista sendo o único a sobreviver por fugir e deixar os companheiros para trás.

Falso protagonista, pois é o personagem Marcus Wright que termina movendo “A Salvação”. Graças ao seu intérprete, Sam Worthington, Marcus é a figura mais interessante da produção, embora isso não queira dizer que seja um grande personagem. O fato é que Christian Bale está apagado e seu Connor afunda junto. Aqui, o cavaleiro das trevas monta outra moto preta e parte para a ação, sem saber que é a ação que o engole sem dó nem piedade. A pirotecnia do filme recai em exageros estéticos bebidos na mesma fonte de um “Transformers” desses da vida. O espetáculo visual para ludibriar o grande público dos problemas do roteiro é tão contínuo que dá sono. Ritmo frenético de efeitos especiais desconcentra a atenção da história, o vinho suave da adega de Hollywood para pegar-nos desprevenidos quando o álcool já tiver tomado de conta.

Bêbados pelo barulho infernal que faz de um simples acender de fogo um motivo para pegar um susto, e que no contexto atual tem tudo para ser lembrado nos prêmios da Academia ano que vem, até vibramos com as referências aos filmes anteriores, de “Venha comigo se quiser viver” a “You Could Be Mine” do Guns N’Roses, sem percebemos que a sedução mercadológica impediu um desfecho impactante e que poderia fazer elo direto com o primeiro filme – e a aparição de um T-800 engana direitinho, até a espinha gela. Bobos que somos e fáceis de enganar por um truque de mágica mais elaborado, não vemos que a força motriz deste “Exterminador do Futuro: A Salvação” está naquilo o que nos separa das máquinas: o coração. E é um jogo interessante, porém nenhum pouco original: enquanto o coração dos homens está embrutecido, o da máquina em crise de identidade é frágil e benevolente. Volta-se ao otimismo de Cameron em “Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final”, contudo termina soando mais artificial do que nunca. Um desfecho fraco, apenas para prometer outra seqüência. Como adoramos um bom truque de mágica, mal podemos esperar para pagar para ver.

 

Publicado no jornal O Dia em 09.06.09

ONDE OS ANJOS APONTAM

 

Está cada vez mais óbvio nos dias atuais o fato de que existem pessoas que gostam de ser apontadas na cara e chamadas de burras. Gostam tanto que pagam para isso. Escutam canções pops e se impressionam com a batida e as rimas fáceis. Compram best sellers vazios e discutem autores contemporâneos de forma intelectualizada. Lêem quadrinhos adultos como se fosse literatura clássica. Vão ao cinema e encaram filas quilométricas para assistirem à primeira sessão de suas adaptações, sempre rodeadas por alardes e falsas expectativas. Adoram a fidelidade do texto, as grandes sequências, os efeitos especiais, o ritmo da direção, as reviravoltas do roteiro, a interpretação dos atores, o modo brilhante como a trama se conclui e as duas horas, ou mais, que se passaram sem sofrimento algum. E elas estão certas, afinal pagaram para isso.

O preocupante é que, nesses tempos de conversas rápidas e terabytes tresloucados, as pessoas esquecem o que estão fazendo. Estão consumindo informações sem processá-las. Porque precisam ler o próximo livro, ver o próximo filme, comprar a versão de luxo de “Watchmen”. Não discutem o subtexto das obras que engolem. Às vezes nem vêem esse subtexto, seja porque não está lá ou pelo fato de que descobrir os meandros do autor é tirar a melhor coisa proporcionada pela obra: a alienação de si mesmo. Foi-se o tempo no qual o cinema se beneficiava das grandes narrativas literárias. É a literatura que, já há algumas décadas, encontra-se influenciada pelo cinema. Se antes o espírito humano era milimetricamente estudado nas divagações de autores sem pressa – que se prestavam a seguir o fluxo do pensamento –, hoje a sutileza é a técnica, e as intenções dos personagens estão escondidas em suas ações, em seus olhares, nas vírgulas e reticências. Ou seja, cinema puro.

Na contemporaneidade, o padrão literário é raso e se limita a sequências de eventos comentados pelo escritor, que se beneficia de estar sempre um passo à frente do leitor. Consequentemente são livros em formato cinematográfico e se transformam em filmes com poucas dificuldades. O autor deveria ser creditado também como roteirista, pois a moda das adaptações fiéis deixa pouco espaço para uma interpretação do que está sendo adaptado. Pura preguiça intelectual. Por isso Dan Brown e suas páginas de diálogos espertos e seus parágrafos narrativo-descritivos é quase leitura acadêmica: na era da imagem se movimentando, precisamos ver o que estamos lendo. É provável que todos conheçam a história de “Anjos e Demônios”, nova realização fílmica de uma narrativa de Dan Brown. Se não, ao menos sabem que tem alguma coisa a ver com uma bomba no Vaticano e a igreja católica preocupada com sua imagem retratada pelo livro-filme.

Preocupação à toa. Esta nova desventura do simbologista Robert Langdon não provoca nenhum novo arranhão na pele já cheia de feridas do catolicismo. Não é nada comparado às visitas do Papa à África do Sul vendo todo um povo morrer de AIDS e ainda condenando o uso da camisinha nas relações sexuais. Abençoados sejam os católicos desobedientes. Aliás, não há filme mais católico do que “Anjos e Demônios”, que mostra o quanto o ser humano é contraditório e impregnado pela imagem que faz de si mesmo. Assim como é a igreja católica. Sempre foi. Existe algum motivo para drama agora? Claro que não. É bem capaz que o filme dirigido por um Ron Howard em stand-by (quem pôde ver “Frost/Nixon”, também dele e o melhor dos indicados ao último Oscar, deve concordar) aumente consideravelmente o número de católicos, pois sua magnífica recriação do Vaticano – sim, a produção foi proibida de pôr os pés sujos lá – certamente levará mais turistas até a cidade-estado, dando ao Papa a oportunidade de ser esperto e jogar suas sementes de catequização. 

Quanto ao filme, não passa de um suspense meia-boca, no qual o Langdon de Tom Hanks apenas segue as indicações do roteiro formulaico, demorando a acertar aquilo no qual deveria ser expert (a leitura dos símbolos) e quase sempre chegando tarde demais ao salvamento das vítimas. Em certos momentos, Langdon parece mais burro que a platéia, que pelo menos ri dos seus insights atrasados. A inteligência da trama se esvai a partir do final dos comentários históricos estilo quem foi quem ou quem fez o quê, e Hanks tenta, mas não consegue evitar um tom didático. Chega-se ao cúmulo de criar tensão pela falta de oxigênio para a situação ser resolvida da formal mais boba e risível possível. Os velhos clichês hollywoodianos ainda hoje impregnam suas produções. Mesmo Vittoria Vetra sendo mais interessante do que a insossa Sophie Neveu de “O Código Da Vinci”, ela pouco tem a resolver na história e talvez não fizesse falta. O personagem de Ewan McGregor é outro problema. Não por ser ruim ator, pelo contrário. O fato é a cartilha do gênero suspense: sendo feito por ele, seu personagem termina entregando a única reviravolta da história. Por sua vez, também comum ao gênero e estupidamente óbvia.

Tendo sido todos muito bem pagos para fazer esse filme (os maiores cachês já pagos, ao que parece), não é de se espantar que seja tecnicamente bonito, embora já comecem chamando o espectador de burro ao decidirem inverter a sequência da história: na literatura, “Anjos e Demônios” retrata um evento anterior ao de “O Código Da Vinci”, o que não acontece no cinema. Boa amostra também da mentalidade publicitária de nossa era. Contudo, o mais interessante é o subtexto, mais sutil em obras pops do que nas de arte, o que não deixa de ser curioso. O ato de criação divino usado como símbolo da destruição da vida sugere um Deus falho e finito. Em outras palavras, Deus seria o próprio homem tentando destruir a si mesmo.

Mas a obra é esperta ao colocar a falha inteiramente no homem, preservando Deus. Neste caso, Langdon segue os símbolos dos santos e anjos para descobrir o verdadeiro vilão da história: a falha do caráter humano. O homem, então, seria o lado sombrio de Deus. Esse é o jogo de “Anjos e Demônios”: isenta-se o divino para jogar a culpa na natureza humana em busca de poder. Temática comum em 99,9% das obras. Nada de crítica ao catolicismo, abalado pela própria insegurança e culpa – e que no filme tenta lavar a imagem abençoando a ciência. Portanto, uma falsa polêmica. Graças à reviravolta final, o filme se revela como uma crítica “fogo de palha” e uma convencional diversão maniqueísta, cuja estrutura se resume na frase “onde os anjos apontam é onde os demônios se escondem”. Pela inteligência de Robert Langdon, basta seguir a direção dos dedos.

 

Publicado no jornal O Dia em 26.05.09

 

VIDA LONGA E PRÓSPERA

 

 

Não há nada melhor e mais seguro do que uma lição de casa bem feita. É essa a sensação que se tem ao término do novo “Star Trek”, que chega como um reboot das aventuras espaciais protagonizadas por William Shatner e companhia nos anos 60 (a série de TV clássica) e 80 (os filmes com os personagens originais). Com uma trama absorvente, um ritmo alucinante e efeitos especiais capazes de fazer brilharem os olhos, a revitalização comandada por J. J. Abrams mantém-se fiel ao espírito trekker, ainda que consiga a proeza de também ser um filme voltado aos não-iniciados.

Pegando carona na atual tendência da indústria cinematográfica norte-americana de reiniciar suas principais franquias do zero, como ocorreu com Batman, Superman, James Bond, Hulk, entre outros, “Star Trek” basicamente mostra como se formou a tripulação da USS Enterprise composta por James T. Kirk, Sr. Spock, “Magro” McCoy, Uhura, Sr. Sulu, Sr. Scott e Pavel Chekov. Com todos em suas versões jovens – e, diga-se de passagem, muito parecidas –, o espectador testemunha o início dos relacionamentos que tornaram esses personagens queridos por trinta anos. Não há como deixar de sentir uma estranha familiaridade logo nas primeiras aparições e nos contatos iniciais entre eles.

Cortesia da dupla de roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman, fãs assumidos da série e que conseguiram o êxito de não fugir aos dogmas trekkianos, ao mesmo tempo em que criaram uma narrativa nova e eletrizante que está o tempo todo fazendo lembrar quem aqueles adolescentes espinhentos e inseguros viriam a se tornar. Resultado: tanto os quarentões se deliciam com as diversas e certeiras referências à série clássica (leia-se: antes da Nova Geração) quanto os jovens e adultos contemporâneos podem saborear um roteiro engatado na quinta marcha desde o início que vai pondo as coisas em seus devidos lugares de maneira orgânica durante todo o decorrer da produção, sem esquecer a pretensão cool impressa em cada sequência de ação e em cada diálogo. Não se engane: “Star Trek” é milimetricamente planejado para ser o filme do momento. Isso, claro, até que outro chegue.

E consegue, principalmente depois das duas grandes decepções do ano até agora: “Watchmen” foi tão conceitualmente elaborado que o público não entendeu (o que fez o próprio roteirista da produção conclamar os fãs a verem o filme novamente) e “Wolverine” é tão bobo que deve ser lembrado apenas pela diversão escapista acéfala que oferece. Dito isso, o filme dirigido por Abrams possui o mérito de unir inteligência narrativa com o cinemão pirotécnico com tudo para não deixar nenhuma poltrona vazia. Se fica uma, é porque o apelo do fanatismo dos trekkers não cativa como a religião de “Star Wars”. Mas isso é mero detalhe comparado ao resultado alcançado pelo criador de “Lost” (ou um dos). A direção de J. J. Abrams está acima da média para as produções do gênero, deixando vazar luzes, movimentando constantemente a câmera, criando planos incríveis, sem, com isso, perder o foco dos personagens e criando momentos absolutamente memoráveis.

Nem é preciso dizer que um deles é quando Leonard Nimoy, o Spock original, surge em cena. Fã ou não, é impossível não ficar emocionado, ainda mais com a maneira genial com a qual o puseram na trama. Sem a intenção de entregar alguma coisa, basta mencionar que é o Sr. Spock o responsável por conformar a tripulação clássica da Enterprise, o que por si só demonstra o grande respeito das pessoas por trás deste “Star Trek” ao universo criado por Gene Roddenberry, o mentor da série televisiva. Zachary Quinto, o jovem Spock, é o destaque do elenco, continuando a fazer do icônico personagem o mais interessante de todos, e sua relação conturbada o jovem Kirk (Chris Pine) é outro dos pontos altos do filme. Todo o elenco escolhido a dedo é muito bem usado aqui, nesta fantástica experiência de reciclagem.

Conseguindo ser tão bom quanto dos melhores filmes da série, como “Jornadas nas Estrelas IV: A Volta para Casa” (1986) e “Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida” (1991), o roteiro habilmente deixa questões em aberto pensando no futuro, além de caprichar na medida certa de humor, ao passo que a excelente trilha sonora dá um tom operístico à narrativa, mesmo não usando o famoso tema de Jerry Goldsmith. Quando Leonard Nimoy faz a clássica narração final dos episódios, é que vem a certeza da lição de casa comentada no início deste texto. E outra: seremos testemunhas das inevitáveis próximas aventuras da Enterprise e sua tripulação, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve. Se forem excitantes como esta, será sempre um prazer embarcar com essa turma para os confins da galáxia.

Publicado no jornal O Dia 12.05.09

FILMES VISTOS EM BELÉM-PA DURANTE O CARNAVAL

. Quem Quer Ser um Milionário? (drama) * * * ½

  (Slumdog Millionaire, GB, 2008)

 

. Queime Depois de Ler (comédia) * * * ½

  (Burn After Reading, EUA, 2008)

 

. Simplesmente Feliz (drama) * * *

  (Happy-Go-Lucky, GB, 2008)

 

. Piranha (terror) * * *

  (Idem, EUA, 1978)

 

. Espartalhões (comédia) * *

  (Meet the Spartans, EUA, 2008)

 

. Violência Gratuita (drama) * * *

  (Funny Games U.S., EUA, 2008)

 

 

. Os Aventureiros do Bairro Proibido (aventura) * * *

  (Big Trouble in Little China, EUA, 1986)

 

 

. 12 Homens e Uma Sentença (drama) * * * * *

  (12 Angry Men, EUA, 1957)

 

 

. A Mulher Faz o Homem (drama) * * * *

  (Mr. Smith goes to Washington, EUA, 1939)

 

 

. Brother (policial) * * *

  (Idem, EUA/GB/JAP, 2000)

 

 

. Sexta-Feira 13 (terror) * *

  (Friday the 13th, EUA, 2009)

 

 

. O Lutador (drama) * * * * ½

  (The Wrestler, EUA/FRA, 2008)

 

 

. O Leitor (drama) * * * *

  (The Reader, EUA/ALE, 2008)

 

. Milk – A Voz da Igualdade (drama) * * * *

  (Milk, EUA, 2008)

 

. Frost/Nixon (drama) * * * * ½

  (Idem, EUA, 2008)


. Filhos do Silêncio (drama) * * * *

  (Children of a Lesser God, EUA, 1986)

 

. Força Sinistra (ficção) * * ½

  (Lifeforce, GB, 1985)

 

. Nós que nos Amávamos Tanto (drama) * * * ½

  (C'eravamo Tanto Amati, ITA, 1974)

 

. Sob o Domínio do Medo (drama) * * * ½

  (Straw Dogs, GB/EUA, 1971)

 . 2010 – O Ano em que Faremos Contato (ficção) * * *

  (2010, EUA, 1984)

 

. Depois do Vendaval (romance) * * * *

  (The Quiet Man, EUA, 1952)

 

. Loucos de Dar Nó (comédia) * * *

  (Stir Crazy, EUA, 1980)

 

* Abraços aos meus amigos Manel e senador Marcão, que, como sempre, me acolheram muitíssimo bem na capital paraense.

SIMPLESMENTE FELIZ * * *

(Happy-Go-Lucky, 2008)

 

A atuação de Sally Hawkins é o que move esta comédia dramática do consagrado Mike Leigh. Ela interpreta uma mulher absurdamente efusiva e que está sempre rindo de tudo, e atravessa a vida assim, com muito bom humor. É então resolve aprender a dirigir carro e pega um instrutor extremante mal humorado e que termina ficando obcecado por ela. Um roteiro muito humano e uma interpretação digna de reconhecimento fazem de Simplesmente Feliz um filme imperdível e até comovente. Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. (19.02.09 - Belém-PA)

QUEIME DEPOIS DE LER * * * 1/2

(Burn After Reading, EUA, 2008)

 

Após a consagração de Onde os Fracos não Têm Vez, os irmãos Coen atacam com esta rápida e certeira comédia de erros na qual ninguém realmente sabe o que está acontecendo. Ao encontrar um CD contendo certas informações de um ex-funcionário da CIA, que por sua vez está redigindo um explosivo memorando sobre a Agência, os personagens de Frances McDormand e Brad Pitt (numa atuação hilária) desencadeiam uma série de eventos que só faz aumentar cada vez a confusão. Sem grandes pretensões nem genialidades, os Coen destilam seu humor ácido sobre a idiotice norte-americana, a paranóia do terrorismo e diversos outros temas. As cenas em que tentam compreender o desenrolar da situação são as melhores. (19.02.09 - Belém-PA)

QUEM QUER SER UM MILINÁRIO? * * * 1/2

(Slumdog Millionaire, 2008)

 

Embora já tenha vários filmes no currículo, incluindo duas pérolas cults dos anos 90, Cova Rasa e Trainspotting – Sem Limites, somente agora o inglês Danny Boyle tem a chance de alcançar êxito internacional. Isso por causa de toda a projeção deste Quem Quer Ser Milionário?, fábula indiana passada na fervente Mumbai sobre um rapaz de favela que acerta todas as perguntas do famoso programa. O fato é que desconfiam se ele trapaceou ou se sabia mesmo as respostas. O roteiro de Simon Beaufoy nos responde isso de forma bem costurada e até mesmo inusitada, o que não deixa de escorregar um pouco na obviedade de sua própria estrutura. Mas indubitavelmente é uma obra interessante, e que possui méritos próprios, como a direção de Boyle, que mantém-se fiel ao seu estilo e ainda extrai ótimas performances de todo o elenco. Cheio de referências ao cinema indiano, no geral é um filme bem otimista e possui até um final a la Bollywood. Ganhou 4 Globos de Ouro e 8 Oscars. (19.02.09, em Belém-PA)

O GAROTO QUE PODIA VOAR * * *

(The Boy Who Could Fly, EUA, 1986)

 

Fazia anos que eu não revia este filme, na verdade uma fábula que trata de assuntos delicados de maneira lúdica, até certo ponto ingênua. Mas quem é da geração de 80 certamente vai se sentir nostálgico com a história do garoto que podia voar e seu relacionamento com a vizinha recém-chegada. Enfim, era sábado à noite e eu estava uma pilha após quase oito horas direto na finalização do meu filme, Dona Maria, que tentarei lançar em março agora (finalmente, depois de quatro anos e dez mil atropelos!). Não tinha paciência para ver ninguém e nem queria assistir a algo mais pesado. Ressuscitei o VHS e voltei no tempo.

 

O filme conta a história de Eric, que mora com o tio alcoólatra desde que os pais morreram de uma queda de avião. O fato é que o menino é autista e finge ele próprio ser um avião, o que de imediato chama a atenção de Milly, sua vizinha, que se muda para a casa ao lado depois da morte do pai. A menina começa a se sentir atraída pelo jovem que fica horas do lado de fora da janela com os braços abertos como se fosse decolar a qualquer momento. Termina sendo incumbida pela professora a acompanhar Eric nas tarefas escolares. Vai se envolvendo aos poucos com o garoto, até descobrir a incrível verdade sobre seu comportamento.

 

Escrito e dirigido por Nick Castle, mais especializado em comédias (talvez a mais conhecida do grande público seja Dennis, o Pimentinha, de 1993) e trabalhos para a TV, tendo dirigido um episódio da série Histórias Maravilhosas, O Garoto que Podia Voar possui um desenvolvimento simples e cuidadoso e, além de abordar a questão do autismo, toca em temas como suicídio, diferença, integração, sempre de forma sensível, mas sem aprofundar demais. Castle fez um filme para a família, bastante agradável de se ver e tocante em certos momentos.

 

A música de Bruce Broughton (indicado ao Oscar por Silverado, de Lawrence Kasdan) ajuda a realçar a melancolia que permeia a história e fica na nossa cabeça por um bom tempo. O elenco está em sintonia, em especial Lucy Deakins e Jay Underwood como o casal central (suas carreiras não deslancharam apesar de terem vários outros trabalhos no currículo), e ainda conta com Bonnie Bedelia (a esposa de John McClane na série Duro de Matar) e o pequeno Fred Savage, o astro da série Anos Incríveis (1988-1993).

 

Obviamente, como o título avisa, o garoto pode voar, o que rende momentos oníricos bebidos na fonte de Superman de Richard Donner, alguns poéticos com o céu alaranjado (a fotografia, por sinal bela, é assinada por duas pessoas, Adam Holender e Steven B. Poster) e outros edificantes quando todos testemunham o fato. No final, sai-se como uma fita modesta e simples em que todos aprendem a lição e recomeçam a vida. Pode soar datado hoje, mas os elementos funcionam e, se não se estiver esperando muita coisa, pode tocar de forma singela e significativa.

 

Para os saudosistas de plantão.

HORIZONTE PERDIDO * * * *

(Lost Horizon, EUA, 1937)

 

Um dos grandes clássicos de Frank Capra, realizado entre O Galante Mr. Deeds e Do Mundo Nada se Leva, dois filmes que lhe deram o Oscar de direção. Horizonte Perdido, apesar de ter concorrido a sete prêmios da Academia, incluindo melhor filme, levou apenas edição e direção de arte. Também pudera. Trata-se de uma produção suntuosa sobre a mística Shangri-La, nos confins do Tibete.

 

A mais bem-sucedida adaptação do livro de James Hilton, de 1925. Shangri-La é uma utopia, a concepção de um paraíso terrestre, onde impera a moderação dos sentimentos, todos são felizes e o tempo não passa. Supostamente escondida por entre as montanhas do Himalaia, inspira artistas e intelectuais desde sua criação literária. Foi inspirada em Shambhala, local místico presente em textos sagrados antigos e em tradições orientais.

 

E Frank Capra calca sua narrativa nesse misticismo, abusando do soft-focus para acentuar essa áurea mística do lugar (posso estar enganado, mas foi a impressão que tive). Vários críticos reclamam que a obra envelheceu por causa de sua ingenuidade. Tanto que ficamos esperando alguma revelação sombria, como bebês deficientes ou pessoas que não condizem com o estilo de vida de Shangri-La sendo sacrificados ou expulsos. Enfim, sinal de que o mundo foi que ficou cínico, como mostram filmes como A Praia, em que o paraíso perfeito possui seu ônus para ser mantido.

 

Mas nada disso acontece aqui. Shangri-La realmente nos acomete uma sensação agradável de paz interior e esperança, principalmente agora que vivemos rodeados por brutal falsidade, acidez e individualismo. O DVD com a obra restaurada é um presente para os cinéfilos, com comparação antes e depois da restauração, mini-documentários, final alternativo, além de chegar bem perto da montagem original do filme, com cenas compostas por fotos no lugar do negativo que se perdeu, utilizando-se o áudio.

 

Nada que prejudique realmente a grata experiência concebida por Capra, o cineasta do otimismo. Shangri-La ainda é um refúgio dos sonhos, uma esperança acalentadora, uma fuga bem-vinda.

SURPRESAS DO AMOR * * *

(Four Christmases, EUA/ALE, 2008)

 

Fez inesperado sucesso esta comédia natalina que recebeu um nome bobo por aqui. É sobre um casal moderninho (não são casados nem querem filhos) que gosta de viajar em feriados e se recusa a visitar as famílias, que são quatro já que os pais de ambos são divorciados. O que acontece é que eles terminam não conseguindo embarcar na véspera de Natal e são obrigados a fazer visita por vista. Além das muitas confusões que os aguardam, vão descobrir que talvez não se conhecem tanto o quanto imaginavam.

 

Se a felicidade é fruto da ignorância, parente literalmente é serpente. Se você estiver preparado para um humor bem escrachado, irreverente, estilo Entrando numa Fria, com piadas bem de mau gosto e algumas coisas absurdas, então vai entrar no clima deste filme dirigido por Seth Gordon (que fizera antes o elogiado documentário The King of Kong). Vince Vaughn continua com o tipo debochado que vem caracterizando sua persona cinematográfica e Reese Witherspoon tenta não fazer muita careta e esconder o queixo.

 

Mas quem se destaca mesmo são os coadjuvantes. O filme tem participações de veteranos como Robert Duvall, Sissy Spacek, Mary Steenburgen e Jon Voight, além de um Jon Fraveau hilário. Para quem não sabe, Fraveau é o diretor do sucesso Homem de Ferro e foi quem deu a primeira grande chance a Vaughn no independente Swingers – Curtindo a Vida, de 1996, que ele escreveu.

 

Obviamente o humor debochado termina dando lugar para o romance na reta final da produção. O desfecho é coerente, porém pouco inspirado e que deixa o filme com um saldo devedor. Entretanto, para uma comédia com cara de programa descartável, até que rende boas risadas e sua duração curta (menos de 90 minutos) ajuda a experiência. Para desopilar mesmo e só.

PERSÉPOLIS * * * *

(Persepolis, FRA/EUA, 2007)

 

Animação indicada ao Oscar em 2008, Persépolis é um retrato fascinante das mudanças sócio-políticas de uma nação. No caso aqui o Irã, desde a queda do regime do xá (título de nobreza dos monarcas da Pérsia, como o país era chamado pelo ocidente até 1935) Mohammad Reza Pahlevi em 1979 com a Revolução Iraniana promovida pelo Aiatolá Ruhollah Khomeini e a princípio visto com bons olhos por grande parte da população. Só que a república islâmica estabelecida mostrou-se ainda mais repressora, com leis baseadas no islamismo e o clero obtendo poder político. Foi quando as mulheres começaram a se cobrir e várias liberdades de antes foram proibidas.

 

Tudo isso visto sob o prisma de Marjane Satrapi, que co-dirige sua cinebiografia animada, desde a infância, passando por sua estadia em Viena, o regresso a um país bastante mudado e por fim a ida para a França. A produção é baseada em seu livro e nos quadrinhos que assina. O desenho tem o estilo particular dos quadrinhistas europeus e é quase todo em preto-e-branco. Cheio de referências pop, não deixa de ser uma experiência lúdica e obrigatória para quem quer entender as mudanças históricas ocorridas na região e que até hoje é foco de conflito e até mesmo luta pelos direitos humanos. Contudo, é uma obra sobre experiência e amadurecimento, não se esquece de mostrar as paixões de Marjane, suas falhas de caráter típicas da juventude e seus desvios de conduta.

 

Persépolis era o nome da antiga capital pérsia, hoje Teerã, onde nasceu a protagonista. Enfim, um filme bem interessante de se ver.

CONTROLE ABSOLUTO * * *

(Eagle Eye, EUA, 2008)

 

Um dos gestos mais controversos e (para mim) repulsivos da derradeira fase da era Bush foi justamente o Ato Patriótico, que conferia ao Estado poder de vigiar os indivíduos da nação norte-americana considerados “suspeitos” – na visão de Bush, todo mundo. A distopia de George Orwell, advinda da filosofia de Berkeley, acerca da contenção do comportamento dos cidadãos por meio do olho que tudo vê, o Grande Irmão (muita gente assiste ao Big Brother sem saber as bases filosóficas do formato do programa), retratada em 1984 parecia está acontecendo. Vamos ver se Barack Obama muda esse curso.

 

Seja como for, essa perda da privacidade rendeu alguns filmes. Batman – O Cavaleiro das Trevas fez uma leitura da questão para o grande público, enquanto Controle Absoluto mostra que podemos estar sendo monitorados pelos meios mais inusitados, e nem um celular desligado escapa. Neste último, Shia LaBeouf, novo queridinho da América, é confundido com um terrorista e perseguido pelo FBI, ao mesmo tempo em que é “ajudado” por uma voz e se envolve numa trama de atentado ao poder vigente do país mais poderoso do mundo.

 

Dirigido por D. J. Caruso, que já havia feito com LaBeouf o eficiente Paranóia, versão teen de Janela Indiscreta que também aborda o uso da tecnologia nos dias de hoje, Controle Absoluto é diversão que transcende o mero escapismo ao suscitar reflexões sobre o poder estatal sobre os indivíduos e o abuso da tecnologia e, sobretudo, da inteligência artificial. As sequências de ação possuem impacto, realizadas em grande escala e a priori com o uso mínimo de computação gráfica. O roteiro alterna referências que vão desde Inimigo do Estado, o primeiro grande filme a tocar no tema do monitoramento estatal via satélites, a 2001 – Uma Odisséia no Espaço, sendo que o antológico computador HAL 9000 encontra aqui seu "equivalente feminino", Aria (voz não-creditada de Julianne Moore). Se é que máquinas podem ter gêneros discriminados.

 

Aparando as arestas, o enredo é simples e não possui grande originalidade, descambando para o óbvio das super-produções hollywoodianas. O desfecho termina sendo fraco, porém o ritmo frenético, a segurança da direção e o carisma do elenco fazem desta uma produção a ser apreciada em volume máximo.

A TROCA * * *

(Changeling, EUA, 2008)

 

Los Angeles, década de 1920. Christine Collins encara o inferno quando seu filho de nove anos, Walter, desaparece. Cinco meses depois a polícia encontra o menino e o devolve à mãe. Só que devolvem o garoto errado e Christina é persuadida a acreditar que se trata de seu filho para limpar a barra da Polícia de Los Angeles, que já tem fama de corrupta e violenta. Até o leva para dentro de casa. Quando insiste em provar que aquele não é seu filho, termina sendo internada, pela própria polícia, num hospital psiquiátrico. Como se não fosse uma história absurda, ela é real.

 

Clint Eastwood até acerta o tom na primeira metade do filme e o desespero e a angústia de Angelina Jolie comovem e fazem merecida sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Sua insistência em ter notícias do filho, os detalhes de sua fragilidade de mãe desamparada são tocantes, compõem bem o perfil da mulher que nunca desistirá de buscar por Walter, mesmo quando recebe outro em seu lugar. E é aí que sua interpretação ganha peso. A princípio confusa, em algum momento ela até quer acreditar que está distorcendo as coisas, mas os fatos falam mais alto e sua determinação se torna mais forte. Na cena em que Angelina confronta o menino, pode-se notar que seu lado materno (como mãe na vida real) não a deixa ser mais agressiva, tornando-a até politicamente correta. Compreensível e que não diminui o lado positivo de sua atuação.

 

Mas o roteiro de J. Michael Straczynski, que atualmente assina o arco principal dos quadrinhos do Homem-Aranha, falha em ser formulaico e perder chance de criar peso e tridimensionalidade para a personagem. Ela só quer encontrar o filho, o que é lindo, mas termina entrando na jornada em prol de justiça arquitetada pelo reverendo interpretado por John Malkovich. Nesse ponto do filme, entra em cena um serial killer de crianças e tudo vira um drama de tribunal, quando se percebe a mão pesada de Eastwood, que muda completamente o tom da narrativa e arrasta o filme até não poder mais.

 

O resultado é um filme que não chega a surpreender. Possui não sei quantos finais falsos e aquela sensação de que tudo já havia terminado uma hora antes. Nessa bossa malconduzida, há uma cena desnecessária e até constrangedora: a execução do assassino de crianças, que nunca se explica ou é melhor explorado pela produção. A impressão é que as duas tramas ficam meio que soltas no contexto real da história. Foi indicado ainda ao Oscar de direção de arte e fotografia. Enfim, Clint fez o que pôde (herdou o projeto de Ron Howard), mas não fez o seu melhor.

AUSTRÁLIA * *

(Australia, EUA/AUS, 2008)

 

O problema de Austrália é um só: quer reinventar a roda sem ter uma base sólida para isso. Não tenho nada contra reinventar a roda, é até um caminho difícil de fugir hoje em dia, mas é preciso saber o momento certo para testar a própria mediocridade. Moulin Rouge funciona porque veio na hora certa e trouxe elementos frescos para o gênero musical. Austrália percorre o caminho inverso: enquanto os épicos acompanham o sinal dos tempos, o filme de Baz Luhrmann opta por uma narrativa estilo anos 40.

 

Em seu aspecto revisionista, passa longe das fontes que bebe. Não é à toa que Luhrmann situa sua história em 1939, considerado um ano marco para o cinema, com obras como ...E o Vento Levou, No Tempo das Diligências e O Mágico de Oz, cuja canção-tema Austrália toma forçadamente emprestada. Ele fez isso para subverter um pouco os elementos, porém o tiro termina saindo pela culatra. A primeira metade do filme se esforça para ser engraçada, enquanto o conceito é abandonado na metade seguinte em prol do formato romântico do épico.

 

O casal central luta para transbordar empatia, ao passo que os coadjuvantes, ilustres desconhecidos, são que se destacam. Enfim, Austrália possui um meio arrastado, na transição da mudança de tom, e termina descambando para a obviedade dos clichês do gênero. Resultado: não empolga ninguém e nem almeja o que buscava a princípio. Quase uma perda de tempo quilométrica.

NÃO ESTOU LÁ * * * 1/2

(I’m not There., EUA/ALE, 2007)

 

Sem dúvida, um filme curioso e até mesmo imprescindível aos fãs de Bob Dylan. Não se trata de uma cinebiografia nos moldes tradicionais do cantor e compositor, e sim de uma alegoria às suas diversas fases, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Explico: seis diferentes atores interpretam as diversas facetas do artista ao longo de sua trajetória, não de uma maneira estritamente linear, mas sempre intercalando os segmentos com uma montagem interessante.

 

O cineasta Todd Haynes, que já abordara o movimento glam (subgênero do heavy metal dos anos 80) em Velvet Goldmine, agora tenta dissecar a alma folk por meio de seu grande expoente moderno. O espectador que conhece a fundo a história de Bob Dylan – ou tenha visto e, sobretudo, revisto o brilhante documentário de Martin Scorsese No Direction Home: Bob Dylan – certamente vai captar com mais facilidade as sacadas da miscelânea narrativa orquestrada por Haynes. São interpretações livres das fases de sua vida, desde profeta prodígio, poeta, passando pelo contestador político, marginal, até seu rompimento com a música folk. Nomes como Christian Bale, Richard Gere e Heath Ledger emprestam suas caras para ajudar a montar o painel, ainda que contraditório, deste ícone da música.

 

Quem mais chamou a atenção do público e da crítica, talvez por se parecer mais com Dylan na lembrança dos jovens adultos, foi Cate Blanchett, que chegou a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Misturando várias técnicas narrativas, o filme de Todd Haynes almeja ser único e brilhante. Gênio por gênio, ainda fico com as três horas e meia do filme de Scorsese, mesmo que não desqualifique a incrível viagem que Haynes se propôs a fazer pelo imaginário de um artista completo. Em uma leitura mais sólida, Não Estou Lá segue na busca pela identidade nuclear de um espírito fragmentado. O pensamento é mutável. Não se prende a formas ou ideologias. Muito menos a rostos.

 

 

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